tenha simpatizado com os assassinos, já que os personagens não são bem explorados, nenhum deles, o que até faz falta; é que, como esperado de um filme do Hitchcock (mesmo este que não foi escrito por ele), o esquema sinistro é o motor do longa inteiro, e tão diabólico, minucioso e prazerosamente explicado que nos tornamos cúmplices torcendo para que a ideia dê certo.
Não é esse o único paralelo com Festim Diabólico que eu pude perceber: aqui também temos a impressão de que a trama faz um comentário sobre a própria experiência de assistir, ler, escutar uma história que nos cativa com sua meticulosidade na violência. Porém, se aquele filme tinha algo bem disfarçado a dizer sobre o autor de tal história, aqui, os pontos são muito mais claros e abrangem todo um panorama ao redor dessas obras lúridas que inclui os consumidores também.
Embora tenhamos vários momentos, antes da metade da obra, que nos façam rir com certa culpa, é depois da intermissão que o filme se solta um pouco. Com a chegada de um detetive quase que irritantemente eficaz e praticamente obrigado a exibir seu sarcasmo, é aí que Disque M para Matar pode ser plenamente descrito como divertido.
Além disso, se a tensão construída até então dependia da nossa torcida pela morte, agora, é mais interessante para nós (os interesseiros) ver o gênio solucionar o crime. Some a isso o envolvimento de um escritor de romances de crime e um novo ângulo desprezível do marido e você tem um dos desfechos mais mirabolantes imagináveis, uma verdadeira guerra de hipóteses dirigida como uma peça de teatro — um clímax tão desprovido de ação, filmado na mesma sala de estar à qual o filme esteve agarrado desde o começo, é intenso a ponto de parecer que vai explodir. Eu até acho que ele exagera na complexidade, mas, com certeza, impressiona qualquer um.
Disque M para Matar (Dial M for Murder), originalmente lançado em 1954
105 min
dirigido por Alfred Hitchcock e escrito por Frederick Knott
105 min
dirigido por Alfred Hitchcock e escrito por Frederick Knott
estrelado por Ray Milland, Grace Kelly, Robert Cummings, John Williams
onde assistir | IMDb
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